terça-feira, 17 de julho de 2007

O APEGO


O apego está relacionado ao agarrar-se. Agarrar algo, é um acto superficial, não existencial. Todos nós somos apegados a alguma coisa, entretanto sabemos o quanto sofremos quando temos que abrir mão daquilo que estamos apegados. Saiba que o apego limita nossos verdadeiros desejos. Quando estamos apegados somos mesquinhos e egoístas e não estamos a seguir o fluxo da natureza.
A natureza é desapegada. Por exemplo, quando um pássaro põe um ovo, a mãe está presente até o momento em que seu filhote nasce, cresce e fica forte. Depois, o pequeno pássaro vai em busca do seu próprio caminho. A mãe não se apega ao filhote que agora já é um adulto.
Existem diversas formas de apego às quais podemos renunciar. Faça uma reflexão interna e perceba qual apego que existe hoje na sua vida e qual você já está disposto a deixar fluir.

Tipos de Apego

Apego ao ego: está relacionado a ideias e pensamentos fixos, sendo que pessoas apegadas ao ego são menos compreensíveis e mais preconceituosas. Actividades junto à natureza propiciam uma quietude interna, onde observamos menos conflitos de egos. Por exemplo, imagine-se numa caminhada no trilho duma floresta com outras pessoas. Geralmente, as pessoas estão mais interessadas nas paisagens, no clima, nos animais que poderão surgir, sentindo e curtindo o que a natureza tem de bom. Um outro exemplo acontece nos retiros espirituais: exigimos menos e exigem menos de nós também, portanto não há nada que precise ser provado. Na vida cotidiana estamos sempre a pensar em termos do "meu espaço", "meu tempo", "meu trabalho", "meus objectos", "meus amigos". Quando largamos tudo isso, podemos assim permitir que outros entrem em nossas vidas tornando-nos mais próximos de nós mesmos.

Apego a opiniões estreitas: ocorre quando o indivíduo está apegado a concepções que não funcionam. Pode ocorrer também quando a pessoa estabelece uma opinião fixa em relação à vida de outra pessoa. Por exemplo: quando o pai ou mãe exige que a sua filha siga uma carreira escolhida por um deles. Essas pessoas costumam projectar os seus desejos e opiniões em cima das outras pessoas, sendo que a última palavra deverá ser a dela, tornando a situação desagradável. Uma solução seria usar uma percepção meditativa, sem julgamentos, para abrir as nossas mentes e fluir com as ideias, em vez de se fixar nelas.

Apego ao princípio do prazer e da dor: podemos perceber esse apego em pessoas dependentes de bebidas, chocolates, vícios, romances que nunca dão certo, família etc. Para exemplificar este tipo de apego imaginem a seguinte cena: uma mulher é questionada se é feliz no casamento e dá a seguinte resposta: "Eu acho que sim, apesar do meu marido me bater, a mim e aos meus filhos, ele é trabalhador, não deixa que falte nada em casa. Enfim, nunca parei para pensar nisso, estamos juntos há tanto tempo. Acho que me acostumei com isso, não me vejo sem ele." Este é um caso fictício, porém típico de apego ao sofrimento. Ficamos tão presos a rotinas familiares de relacionamentos dolorosos que nem sabemos como soltá-las e caminhar noutra direcção, mesmo quando fica evidente que isto é o que nos convém.

Apego a ritos e rituais vazios: ocorre quando as pessoas se agarram a dogmas vazios o tempo todo, não sendo capazes de abrirem as suas mentes e pensarem por si mesmos porque acreditam nalguma coisa simplesmente porque foi dito por alguma autoridade ou porque está escrito num livro.

Apego à visão limitada e míope que só é capaz de enxergar a partir de um único ponto de vista: quando expandimos a nossa auto – percepção, passamos a ver, ouvir e sentir a partir de um outro ponto de vista, mais amplo. Podemos sentir a fragrância divina ou intuirmos uma presença impalpável, porém autêntica. Ao sentirmo-nos compelidos a aprender e amar, precisamos olhar com mais profundidade para as complexidades das nossas experiências, com todos os seus diversos níveis interligados, dimensões variadas e múltiplas formas de existência.

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