domingo, 24 de fevereiro de 2008

PERTURBAÇÃO ESPIRITUAL

P: A alma tem consciência de si mesma imediatamente depois de deixar o corpo?

R: Imediatamente não é bem o termo. A alma passa algum tempo em estado de perturbação.

P: A perturbação que se segue à separação da alma e do corpo é do mesmo grau e da mesma duração para todos os espíritos?

R: Não, depende da elevação de cada um. Aquele que já está purificado, reconhece-se quase imediatamente, pois que libertou-se da matéria antes que cessasse a vida do corpo, enquanto que o homem carnal, aquele cuja consciência ainda não está pura, guarda por muito mais tempo a impressão da matéria.

P: O conhecimento do espiritismo exerce alguma influência sobre a duração, mais ou menos longa, da perturbação?

R: Uma influência muito grande, é por isso que o espírito já antecipadamente compreendia a sua situação. Mas a prática do bem e a consciência pura são o que maior influência exercem.


COMENTÁRIO

Por altura da morte, a principio é confuso e a alma, precisa de algum tempo para perceber a sua nova situação. Aos poucos vai surgindo a lucidez, as ideias vêm à memória, à medida que isso acontece começa a desprender-se, da matéria.
Depois deste processo, a alma desapega-se, liberta–se e segue, se não o fizer a perturbação continua, às vezes por muito tempo, até anos.
As perturbações mais complexas, estão nas mortes violentas, suicídio, acidente, etc. O espirito, fica espantado e não acredita ,estar morto, obstinadamente, acredita que não está, no entanto, vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu, mas não compreende que está separado dele, acerca-se das pessoas a quem estima, fala-lhes e não percebe porque elas não ouvem.
Semelhante ilusão prolonga-se até ao completo desprendimento do espírito. Só então o espírito se reconhece como tal e compreende que não pertence mais ao mundo dos vivos.
Este fenómeno explica-se facilmente. Surpreendido de improviso pela morte, o espírito fica atordoado com a brusca mudança que nele se operou, considera ainda a morte como sinónimo de destruição, de aniquilamento.
Ora porque pensa, vê e ouve, tem a sensação de não estar morto, e mais aumenta o fato de se ver com outro corpo semelhante, na forma precedente, mas cuja natureza etérea ainda não teve tempo de estudar.
Julga-o sólido e compacto como o primeiro e quando se lhe chama a atenção para esse ponto, admira-se de não poder apalpá-lo.
Esse fenómeno e análogo ao que ocorre com alguns sonâmbulos inexperientes, que não crêem no dormir. É que têm o sono por sinónimo das faculdades. Ora, como pensam e vêem , julgam naturalmente que não dormem.
Certos espíritos revelam essa particularidade, se bem que a morte não lhes tenha sobrevindo inopinadamente. Todavia, sempre mais generalizada se apresenta entre os que, embora doentes, não pensavam em morrer.
Observa-se então o singular espectáculo de um espírito assistir ao seu próprio enterramento como se fora um estranho, falando desse acto como uma coisa que não lhe diz respeito, até ao momento em que compreende a verdade.
A perturbação que se segue à morte nada tem de penosa para o homem de bem, que se conserva calmo, semelhante em tudo a quem acompanha as fases de um tranquilo despertar. Para a aqueles cuja consciência ainda não esta pura, a perturbação é cheia de ansiedade e de angustias, que aumentam a proporção que ele dá a sua situação.
Nos casos de morte colectiva, tem sido observado que todos os que perecem ao mesmo tempo nem sempre tornam a ver-se logo. Presos à perturbação que se segue à morte, cada um vai para seu lado, ou só se preocupa com os que lhe interessam.

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